There's a lack of Colour here.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Já alguma vez tiveste medo…

Já alguma vez tiveste medo…
De olhar-te no espelho,Descobrir que não te conheces,Veres que já estás velho,
E que não és quem pareces?
De amar alguém de verdade,
Morrer sozinho no meio do nadaE nem sequer deixar saudade,
Pois só percorreste metade da estrada?
Já alguma vez tiveste medo…
Que um medo teu se realizasse, Ou a vida te pregasse uma partida,
Uma linda donzela roubasse
Teu coração e a tua vida?
Porque todos nós temos medo…
De ficar sozinhos no mundo Do que conhecemos, e do desconhecido
Não darmos o nosso melhor, pois no fundo:
Todos somos pessoas E todos nós temos um segredo
Mesmo que más, ou boas
Tememos enfrentar o medo.

...

Olha para o meu texto sem sentido.
As minhas palavras alinhadas uma atrás da outra, atrás das outras todas, seguidas por tantas outras.
Olha para as palavras que não vou mostrar a ninguém, mas que estão sempre a borbulhar dentro da minha mente.
Olha para, mais uma vez, coisas sem sentido:
- Alguém que esteja a ler, por acaso está a procurar sentido nisto que escrevo?
- Loucos...

Louco...


Os gritos varavam a noite,
Hora ecoando juntamente com os latidos dos cães ao longe,
Hora perdido em meio ao roncar dos motores na avenida.
Todas as noites lá estava ele,
Soltando palavras ao vento,
Bradando palavrões contra o mundo.
Pensei na criança que ele teria sido,
Na ingenuidade que um dia também lhe pertencera
E que acabou sufocada,
Solapada pela realidade.
Pensei na fragilidade do homem diante das incertezas da vida.
Na gigantesca interrogativa que fica diante da origem e do destino.
Senti-me pequeno, esfacelado,
Procurando respostas que, conscientemente, sabia não poder encontrar.
Fechei os olhos... Suspirei...
Vasculhei o meu interior.
Havia uma coisa pulsando lá dentro.
Lembrei-me do amor.
Pensei que pudesse ser ele o conforto.
Quando dei por mim já era bem tarde
E os gritos haviam cessado.